Separação... palavrinha difícil de se lidar. Segundo os bons e velhos romanos, seu significado é desunir, dividir. É mesmo. Não há quem não se sinta metade do homem ou da mulher que era até então, quando – após anos e anos de tristezas, alegrias e aborrecimentos compartilhados – se vê novamente a sós no mundo. Recomeçar uma nova vida nem sempre é fácil. Alguns criam manias, como ouvir “Stand By Me” na versão dos Beatles até os ouvidos praticamente caírem. Outros fecham-se sobre si e evitam qualquer tipo de contato humano. Há ainda os que vão à forra, vingando-se do sexo oposto ou bebendo a là Nicolas Cage em “Despedida em Las Vegas”. Todavia, independente da reação, o mais comum é sentir-se deslocado do restante do mundo. Para ajudar os perdidos na Estrada do Relacionamento – e sim, eu sou um de vocês – resolvi criar este blog. Não é lá grande coisa, não sei mais do que a maioria de nós. Mas é melhor do que nada. E se isso me ajudar a ouvir outra música além de “Stand By Me”, melhor ainda.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A traição



Não há coisa pior do que isso para um casamento. É tido como tão pérfido que é inconcebível – até que aconteça. Ninguém está livre de ser traído ou de se sentir tentado a trair. Mesmo porque os casos extra-conjugais nem sempre são frutos de um relacionamento fracassado ou infeliz. Muitas vezes não passa de uma aventura, uma simples escapulida da vida cotidiana. Nem sempre é planejado ou feito de caso pensado. A ocasião faz o ladrão e o infiel. Algumas traições – acredito que a maioria – são passageiras, no afã do momento. É apenas o prazer em seu estado puro e simples, acompanhado de um leve sentimento de superioridade por possuir algo diferente do cônjuge, um segredo só seu. E o sexo, é claro. A traição à nação muitas vezes é apenada com a sentença de morte. Até no Brasil, em caso de guerra, a lei prevê que os traidores sejam fuzilados. Aos que faltam com a fidelidade no relacionamento não há punição alguma, o que gera um sentimento de impotência da parte traída. Se pudessem optar, acho que a maioria gostaria de vê-los apodrecer numa cela de 2 x 2 m até depois do fim da eternidade. E um pouquinho mais depois disso.
O sentir-se traído destrói a auto-estima. É um baque, um choque, uma afronta à dignidade. Não é fácil recuperar o amor-próprio após ser vítima desse golpe. A primeira reação é a raiva visceral. Um ódio cego, mortal. Lá se vão as roupas do traidor atiradas pela janela. Homens e mulheres reagem de maneira diferente. Os homens apunhalados pelas costas geralmente pensam em acabar com a cara do maldito que seduziu sua esposa. Consideram no íntimo que a amada foi uma vítima. A esposa – que conhece bem seu marido – credita a ele toda a culpa. Por incrível que pareça, os homens são mais propensos a perdoar. Mesmo porque muitos – pelo menos dos que conheço – já deram suas escapulidas enquanto casados e adotam a política da moeda trocada. Já as mulheres são mais reticentes quanto a isso. É delas a função de cuidar da casa, dos filhos e do marido. Muitas vezes elas contribuem ainda com parte significativa da renda. A traição deles é como dizer que elas falharam nessas tarefas. Pode não ser verdade, mas é o sentimento que fica. E como fica.
É raro, mas o perdão existe mesmo para esse tipo de comportamento. Conheço casais que superaram. Tudo bem, é só um, mas ele está lá, firme e forte. Mas a regra geral dita que a traição é uma pedra final no relacionamento. Sem confiança, como prosseguir? As promessas de amor, os planos para o futuro, os pequenos detalhes que os mantinham juntos passam a ser vistos como mentiras. A ambos resta ao sentimento de culpa. Por parte do traidor, por ter quebrado a aliança que unia o casal. Do traído, o que impera é a sensação de ter falhado total e completamente enquanto esposa/marido. Bom, posso deixar minha opinião pessoal acerca desse assunto. Já fui vítima e me senti assim também. No começo foi terrível. Devo ter planejado umas 20 maneiras diferentes de executar um duplo-homicídio. Depois vi que era besteira. Percebi ainda que não falhei. Quem falhou foi ela. Ela foi elo fraco nessa história toda. Enquanto eu a amava e entregava tudo que podia dar, ela, incapaz de retribuir, foi atrás do caminho mais fácil, um relacionamento sem responsabilidade real. Acabou que ela confessou e percebi o quanto ela era infeliz consigo mesma, mesmo antes do nosso relacionamento. Dei-lhe um meio perdão, não guardando raiva, mas também não retomando o relacionamento.
Percebi que o mais difícil depois disso tudo é confiar em alguém de novo. O medo de que aconteça uma nova traição é grande. Mas acredito também que não é porquê uma pessoa não foi honesta comigo as demais não serão. É como julgar a macieira por uma maçã podre. Devemos deixar com os traidores a culpa e nos sentir livres para amar de novo, para acreditar de novo. Nós não falhamos, eles que erraram e foram infiéis a eles mesmos, abrindo mão de suas promessas de honestidade e fazendo o contrário disso. Se tivessem coragem – porque no fundo todo traidor não passa de uma pobre alma covarde e assustada – teriam rompido o relacionamento antes de se aventurar com outra pessoa. Portanto, a quem foi traído deixo o conselho: não sinta raiva do mundo nem medo das pessoas. Mostre ao traidor tudo o que ele perdeu. Seja magnífico. Essa é a vingança mais terrível possível.   

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A arte da conquista



É uma coisa interessante: quando se fica num relacionamento por um certo período, homens e mulheres perdem boa parte do talento para aquilo que chamo de “a arte da conquista”. Uma união estável não pede que você se torne interessante para outra pessoa repetidas vezes (talvez o problema seja esse, mas é outro assunto). Acostuma-se com a certeza que você já fez sua parte e pronto. Mas quando o relacionamento acaba e você precisa começar de novo, é necessário exercitar essa região do cérebro há muito adormecida. É claro que ninguém se esquece completamente de como chamar a atenção de outra pessoa, mas é normal ter alguma dificuldade. Ainda passo por isso às vezes, um ano e pouco depois. Por exemplo, sou péssimo em primeiros encontros. Travo. Os assuntos somem da minha cabeça, não sei onde colocar as mãos, fico tentando imaginar o que devo fazer. Uma vez comecei a falar com uma menina sobre como ela deveria se portar em caso de primeiro contato com uma raça alienígena. Sério, foi a única coisa que pensei na hora (pergunte de onde eles vieram, se são pacíficos, o que querem, se tem um manual da nave para dar e qual é a cura para o câncer).
Nem sempre sou tão desastrado, é óbvio. Mas somos como leões levados em cativeiro e depois soltos novamente na selva. É pedir demais que matemos gnus com a mesma destreza de antes. Acredito que o nervosismo é o que mais atrapalha. Queremos impressionar logo de cara. Ser engraçado, culto, legal, sexualmente atraente, tudo ao mesmo tempo. Mas é preciso calma. O que faço nas ocasiões que não sei o que fazer (eu sei que é paradoxal), é conversar sobre o cotidiano. Perguntar coisas suaves. Sou jornalista e portanto um bom ouvinte, gosto de verdade de escutar as histórias dos outros. Por uma incrível coincidência, as pessoas adoram falar sobre si. Isso torna as coisas mais fáceis. Só faço brincadeiras para quebrar o gelo se tiver plena certeza que será realmente engraçado. Evito falar sobre coisas que não sei, só para impressionar. Um passo de cada vez, foi assim que aprendemos a andar, lembra?
Para as mulheres é mais fácil. Elas são o centro das atenções. Não quer dizer que elas se saiam melhor. Deve ser horrível conversar com um cara que só tem a falar coisas sem sentido (como vida extraterrestre, Deuses!). Geralmente fico atento aos sinais corporais de quem estou conversando. Revirar os olhos é um mau sinal. Sorrir com todos os dentes é bom. Por aí. Não sou um Dom Juan, longe disso. A maioria das tentativas de aproximação dão em nada, embora vez ou outra eu consiga me sair bem. Ah, beber um pouco para ficar relaxado ajuda, mas – friso bem – um pouco só. Apesar da maioria dos homens não ligarem para mulheres alteradas pelo álcool, todos os bêbados são horrivelmente chatos. Só para esclarecer: não falo mais sobre vida fora da Terra, por mais tentador que pareça na hora.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Diga-me o que tu diriges...

Não é ele, mas é irmão gêmeo. Só falta o amassado na porta do motorista

Não é possível ser solteiro sem carro. Não dá, pura e simplesmente. É como tentar atravessar o deserto sem levar água. Minha ex-esposa ficou com nosso carro. Era um Gol G3 2005 a álcool original de fábrica. Eu amava aquele carro. Mas eis que me vi separado e a pé. Vivi bem com isso por umas 48 horas e vi que era impossível continuar daquele jeito. Meu irmão é um sovina dominado pela esposa e raramente me emprestava o carro dele. Tem a ver com o fato de eu ter levado algumas multas, mas elas foram devidamente pagas, garanto. Mas nada melhor do que um carro para chamar de seu, sem dividi-lo com ninguém a não ser a financeira que possibilita sua posse. Então saí ao mercado. Posso dizer que não sou virgem quando se trata de carros: trabalhei dois anos com venda de automóveis. Mas eis que sempre vi um veículo como meio de transporte, uma maneira de ir do ponto A ao B em segurança e rapidamente. Agora havia mais um fator a considerar: o carro deveria servir também para atrair mulheres e dizer que eu não era um fracassado total.
É aí que começaram os problemas. Tinha 28 anos na época. Não podia ser um carro de moleque, um Opalão V6 azul-metálico. Nem um carro de velho, um Corsa prata com tanto charme quanto um Fusca em 1980. Tinha que ser algo para afirmar mais ou menos isso: “está aí um cara que sabe quem é, não tem medo das tendências, mas é clássico o suficiente para fazer isso com bom gosto”. Ou eu imaginava que deveria ser. 
Como jornalista aprendi que “vox populi, vox Dei”, ou seja, a voz do povo é a voz de Deus. Decidi fazer uma pesquisa de campo. Nada exagerado, perguntei para algumas mulheres solteiras que carro elas achavam legal. Depois de todas afirmarem que não ligavam para carros, elas foram unânimes em apontar modelos que estão – e estarão até saírem de linha – bem além do meu parco poder aquisitivo. Em português: não podia comprar nada que custasse mais de R$ 6 mil e esperava que elas me dissessem que amavam veículos do início dos anos 90.
Gosto de pensar que sou um cara esperto. Todo mundo gosta. Mas meu desespero foi crescendo e caí no golpe mais velho do mundo: o da família em apuros. Uma tia minha em situação de falência total me procurou oferecendo um Escort 91 verde-metálico. Estava desesperada por se livrar do carro e levantar alguma grana. Não era o que eu queria, mas pensei comigo: “pego esse carro e depois troco”. Sim, é possível trocá-lo ainda. Mas só se for por uma bicicleta sem rodas. Confiando na pobre tia, descobri tarde demais que o carro era original de fábrica e que foi lá que ele recebeu sua última manutenção. Ao trocar uma mangueira do radiador, devido a um furo, a bomba de água saiu na mão do mecânico. Isso foi só o começo. Fiz a suspensão, o motor, a lataria e o estofamento do carro. Gastei tudo que tinha. Isso antes do funileiro me dizer que ele estava rachado ao meio devido a alguma batida que sofreu. Desisti. Agora estou a pé. Prometi jamais confiar em qualquer se que tenha relação co-sanguínea comigo e estou a procura de um novo carro. Ele nem precisa dizer nada, só andar, que já é bem mais do que o outro fazia. Ah, sim. Dei o Escort para meu pai. Ele raramente fala comigo depois disso.       

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Você era diferente na foto



O homem é um animal sociável. Precisa da companhia de seus semelhantes. Para o homem solteiro, isso significa qualquer mulher. Na Era Digital, a internet facilitou muito a busca por contato humano. A um clique estão dezenas de sites de relacionamento. Descobri que, a menos que você seja homossexual, o Bate-Papo do UOL é furada. Mas tem sites legais, como o Badoo. No Orkut e no Facebook dá pra conhecer um monte de meninas também. O problema desse tipo de contato é que nem sempre é possível saber com que você está falando. A anjinh@_19a pode ser Maria Deusdete, 42 e sem dentes. Mas sem muitos recursos – cinco anos de casamento acabam com a vida social da gente – comecei a usar a internet para conhecer garotas. Deus sabe que muitas vezes encontrei meninas legais de verdade. Algumas eram bem diferentes do que eu havia imaginado ou visto (maldito Photoshop). Mas também houve as roubadas absurdas.
Não vou citar nomes, mas uma vez comecei a conversar com uma garota bem divertida. Morávamos na mesma cidade, trocamos fotos e marcamos um encontro depois de uma semana. Sim, ela era bem bonita. Até demais para estar sozinha, devia ter percebido logo de cara, mas vá lá. O tal encontro seria na sexta-feira, às 20h e ela fez questão de que nos encontrássemos na frente do cemitério, que era perto da casa dela. Não achei estranho, é um excelente ponto de referência. Parei o carro e lá estava ela num banco. Estava vestida de preto, o que não é incomum. Perguntei se ela queria ir a algum lugar para bebermos alguma coisa e conversarmos e ela disse para ficarmos um pouco lá mesmo. Aceitei, nada muito absurdo. Era noite, o cemitério fechado, pouca gente por perto, achei que ela queria privacidade. Começamos a conversar e ela me revelou que era gótica.
Já havia feito uma reportagem com góticos, não achei nada demais. Então ela começou a contar que idolatrava a morte. E como. Bom, sou um homem da ciência, da razão, um cético nato, não acredito em nada relacionado ao sobrenatural. Mas aquela menina começou a me assustar. Ela não tinha outro assunto e eu não tinha outra escapatória a não ser ouvir. Eu já disse que ela era linda. Em resumo, descobri que existem cinco tipos de rituais fúnebres, como os cadáveres apodrecem, o que fazer para invocar os espíritos, como é legal (para ela, não acho nada legal isso) morrer. Agüentei coisa de uma hora. Olhava para o relógio e de tempos em tempos insistia para irmos para outro lugar. Ela pedia mais tempo e falava mais sobre a morte, em como o sonho dela era conhecer as catacumbas de Paris, sobre um cemitério vertical não-sei-onde, etc.
Ela deve ter percebido – já que eu olhava desesperado para o carro e me imaginava cantando os pneus para sair dali – que eu não estava gostando muito e finalmente começamos a nos beijar. Ela era doida, mas linda, já expliquei. Foi então que ela fez a proposta que acabou com todas as nossas chances. Ela queria invadir o maldito cemitério. Está certo que ela me prometeu uma coisa, mas nem aquilo me convenceu. Eu que não vou invadir cemitério nenhum. Ela insistiu por alguns minutos e, quando disse que não, nunca, jamais, nem pagando, nem a pau Juvenal, ela decidiu ir embora. Confesso que fiquei um pouco chateado, mas era o melhor a fazer. Ainda penso na “doida da morte” (a chamo assim desde então). Tenho dúvidas se agi certo, se não deveria ter invadido o tal cemitério. Afinal, sempre digo a mim mesmo que só se vive uma vez.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Os tipos de homem

Rick foi um idiota

Andei pensando dia desses como às vezes nossas vidas se parecem com um filme. Está tudo lá: o enredo, o trama, as reviravoltas e o final que nem sempre é o esperado. O ruim é que nem sempre é um filme bom, daqueles em que a gente sai satisfeito. Então tive essa ideia e fiz uma pequena lista de estereótipos dos homens recém-separados a partir de personagens de filmes e séries. Talvez sirva até de inspiração. Ao final do texto digo em qual me encaixo. Vou fazer, em breve, uma lista de mulheres também. Aguardem.

“Nunca mais outra vez”
Rick – Para quem nunca assistiu Casablanca, Rick é dono de um bar em – adivinhem – Casablanca, em 1942. Os nazistas estão ganhando a guerra e a cidade, que fica no Marrocos Francês, é um dos únicos pontos de fuga para longe da Europa. Rick faz o tipo galã conquistador que não consegue amar ninguém. Isso porquê o grande amor de sua vida o abandonou e ele desistiu do assunto. Tem mais, mas não vou entregar o enredo do filme. O importante é que Rick é pintado com um verniz cínico e calculista. O importante para ele é parecer estar acima do mundo e das coisas cotidianas. As mulheres são apenas objetos efêmeros, para uso e descarte. Ele não se apega a nada ou ninguém. Está sozinho no mundo e gosta disso, nunca irá se apaixonar de novo e não se importa. Não preciso dizer que muitas mulheres se sentem atraídas por isso e a vida dele deve ser bem agitada.

“Bebo até esquecer”
Ben Sanderson – Essa personagem de Nicolas Cage em “Despedidas em Las Vegas” é demais, um dos meus favoritos. Após fracassar em tudo, ele desiste da vida, simplesmente. Alcoólatra, decide morrer em grande estilo: bebendo. A clássica cena dele comprando bebidas – em que apóia o braço na prateleira e derruba dezenas de garrafas ao mesmo tempo dentro do carrinho do supermercado – é um velho sonho meu. Muitos recém-separados se sentem como ele. Não há mais motivos para continuar e o álcool em doses cavalares é tudo que resta. O importante é que Ben fica tão cego em sua obsessão que, quando surge uma mulher (a mais-que-perfeita Elisabeth Shue) que pode dar sentindo a sua vida, ele nem percebe e continua na sua corrida rumo ao suicídio. Se ele morre ou não, descubra assistindo ao filme.

“Me ame, por favor, me ame!”
Brock – É aquele tipo ao contrário do Rick: não sabe ficar sozinho. Acha que toda mulher é “A Escolhida”. Personagem do desenho Pokémon, Brock é um tipo comum. Toda mulher é seu novo grande amor, com quem vai passar o resto dos seus dias. Como não se lembra mais da arte da conquista, ele se atira com tudo nos braços da primeira que encontra, geralmente deixando-a assustada e fazendo com que ela se afaste. Torna-se grudento, ansioso por atenção. É comum cair nesse erro. Querer intimidade com alguém de novo é natural, principalmente após muito tempo compartilhando tudo com outra pessoa. Os que se identificam com Brock devem aprender que se deve ir com calma. O quanto antes.

“Quanto mais, melhor”
Charlie Harper – Da série “Two And a Half-Man”, ele é o clássico galinha masculino. Fica com toda criatura feminina que se aproxima e não quer nada além de sexo casual. Apesar de ser um estilo de vida interessante, vez ou outra ele cai na real e percebe o quanto isso é efêmero. Na verdade, tudo vira rotina. Apesar dos primeiros meses de “liberdade” pós-casamento invariavelmente se dedicar a fazer sexo com o maior número de mulheres possível, em dado momento se percebe que falta algo mais, aquele lance do companheirismo e do compartilhar. Alguns persistem, vêem vantagem em não ser íntimo de ninguém e aproveitam isso. Ah, sim, como a série é engraçada e continua, Charlie ainda está galinhando.

“Onde estou?”
Chuck Noland – Todo mundo já assistiu “O Náufrago”, com Tom Hanks. Há a polêmica envolvendo o fato que ele caiu de avião e portanto não há naufrágio nenhum, mas isso é outra questão. Acontece que muitos recém-separados se sentem tão perdidos quanto ele, mas voluntariamente. O mundo se torna uma vasta ilha deserta e ele evita qualquer tipo de contato humano. Anseia por um dia voltar ao normal, mas não faz nada nesse sentido. Apenas vai sobrevivendo com o pouco que tem e não tem forças para ir além. Acha as mulheres desinteressantes, os amigos chatos e tem vergonha do fato de estar sozinho. Isso acomete geralmente os homens que ainda amam suas ex. Não é mais possível viver com ela, mas sem ela é igualmente impossível. Geralmente viram Chuck e depois passam por uma fase de Charlie Harper até se libertarem da ilha.

Em tempo: eu sou do tipo que adora filmes e séries. J

domingo, 30 de janeiro de 2011

O fim do amor



Uma dúvida persegue sábios, alquimistas e pensadores (valeu Raul) através dos séculos: o amor acaba? Há quem diga que o verdadeiro amor é eterno, tal qual os diamantes. Há os que dizem que tudo acaba e o amor também. Longe da filosofia, a ciência afirma que o amor é a reunião de quatro substâncias químicas (noradrenalina, feniletilamina, dopamina e oxitocina) que tem por fim a reprodução e sim, elas param de agir com o tempo. Quatro anos pra ser mais exato. Ok. Uma vez entrevistei um casal que estava junto há 80 anos – ambos tão lúcidos quanto eu ou você – e eles afirmaram que se amavam como quando eram recém-casados. Não duvido. Há mais mistérios entre os céus e a terra do que julga nossa vã filosofia, Horácio. Eu particularmente penso que é possível amar alguém indefinidamente, apesar disso ainda não ter acontecido comigo.
Todos meus relacionamentos acabaram por vários motivos, mas só o casamento acabou porque o amor havia morrido. Nos distanciamos demais – ambos trabalhando em cidades diferentes, nos vendo pouco e apenas brigando nesses períodos – e nada restava entre a gente. Ouço muito isso. Chega uma época em que o tempo em que o casal passa junto é dado a implicar com o outro e a discutir. É como se chegasse a um ponto em que não há mais nada a descobrir um do outro e toda fascinação morresse. Apenas os defeitos saltam aos olhos, e Deus, como saltam. Mas precisa ser sempre assim? Acho que não. Eu não tenho todas as respostas – na verdade muitas vezes nem sei qual é a pergunta – mas acho que todos entremos vez ou outra numa espécie de encruzilhada.
É mais ou menos o seguinte: numa primeira fase, quando o casal se conhece, namora e casa ou vai morar junto, tudo ainda é meio novo. Há muito o que descobrir do parceiro. Sabemos que ele tem defeitos e qualidades, mas relevamos os defeitos acreditando que é um mal que será curado com o tempo. (Não é não. Ele ou ela já era assim antes de te conhecer. Ou você aceita ou está perdendo seu tempo). Numa segunda fase, vem a amizade. Seu parceiro não era a princesa ou o príncipe encantado dos seus sonhos, mas é alguém legal com quem vale a pena passar o tempo. Vocês se divertem, tem várias coisas em comum e gostam de verdade um do outro. Mas aí vem a terceira fase: o enjôo. Ela gosta de assistir filmes do Stephen Seagal com você, mas já não é a mesma coisa. Tem aquela menina linda do trabalho que você jura que te dá mole. Acredite, sua esposa se sente do mesmo jeito. Ela nunca te contou, mas jamais gostou do Stephen Seagal e agora o detesta.
É aqui que os relacionamentos morrem. Mas acho que é possível sobreviver a terceira fase se a segunda for bem pavimentada. Talvez nem venha a existir uma terceira fase se assim for. Não tenho muita autoridade para falar sobre o assunto, mas quando vier a ter um novo relacionamento, vou cuidar disso. Manter a chama acessa, não deixar cair na mesmice, no conviver desleixado, como se só a presença do outro bastasse. É preciso mais um pouco, é preciso nutrir aquele mesmo sentimento do conhecer, do se importar e admirar o outro. Uma vez ouvi uma frase dizendo que você gosta das pessoas pelas suas qualidades mas as ama por seus defeitos. Vou me esforçar nesse sentindo. Porque sim, eu acredito que o amor pode ser eterno, mesmo que nada mais seja. Se eu estiver errado, pelo menos vou ser um romântico e acreditar em algo bom até o fim dos meus dias, o que não é tão ruim assim.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Quem sou eu



Boa pergunta. Ainda não sei. Mas posso contar um pouco da minha história e porque decidir criar esse blog. Bom, meu nome é Fernando, tenho 29 anos, sou jornalista, divorciado e sem filhos. Me separei da minha esposa – vou chamá-la de Michele nos posts, para preservá-la – em novembro de 2009, depois de cinco anos juntos. O casamento já havia acabado bem antes, apenas insistimos em ficar juntos e depois, quando nada mais poderia salvar o relacionamento, morei mais dois meses com ela até achar uma casa. Ela foi a segunda das mulheres da minha vida com quem eu tive o que se pode chamar de relacionamento amoroso de fato. A primeira foi a Laís (nome fictício também) com quem vivi dos 16 aos 19 anos, entre 1998 e 2001.
História engraçada. Ela tinha uma filha recém-nascida. Do meu melhor amigo. Não escolhi me apaixonar, mas aconteceu e ficamos juntos até que ela decidiu que queria mais do mundo. O final da história é triste. Ela acabou se envolvendo com drogas e morreu em 2007, aos 25 anos, de overdose. Eu já estava casado. O fiz em 2004, por puro acaso. Michele e eu namorávamos e decidimos nos mudar para Natal, no Rio Grande do Norte. As famílias pressionaram e nos casamos para partir. Mas no final desistimos da mudança e ficamos casados. Fomos morar juntos uns dois meses depois da cerimônia realizada.
É desse relacionamento que tiro a maior parte das coisas que aprendi sobre morar com alguém. Com a Laís era muito jovem e não entendi direito as coisas da vida. Depois da Michele, morando sozinho de novo, aprendi aos trancos e barrancos o que é a vida de solteiro e como superar muita coisa. Não sei tudo ainda, estou descobrindo fatos novos todos os dias, mas tenho tocado até que bem esse novo estilo de vida. Mas falta uma. Em março de 2009 conheci a Grazi (só a primeira letra é a do nome das três). Estava meio carente então e fomos morar juntos 15 dias após nos conhecermos. Nem preciso dizer o fracasso que foi isso. Posso resumir explicando que, três meses depois ela estava nos braços de outro. Na minha cama, rs
Conversando com vários amigos que se encontram na mesma situação que eu, decidi criar esse espaço para falar um pouco sobre o assunto. Não tenho grandes pretensões, ainda não sei e não posso a ensinar a ninguém os segredos da vida, mas a jornada sempre é mais fácil se o fardo for compartilhado. Espero contribuições de todos e quero tirar alguma coisa boa disso. Espero que vocês gostem de ler e participar tanto quanto estou gostando de fazer. Vamos lá, a vida (re)começa agora!