Separação... palavrinha difícil de se lidar. Segundo os bons e velhos romanos, seu significado é desunir, dividir. É mesmo. Não há quem não se sinta metade do homem ou da mulher que era até então, quando – após anos e anos de tristezas, alegrias e aborrecimentos compartilhados – se vê novamente a sós no mundo. Recomeçar uma nova vida nem sempre é fácil. Alguns criam manias, como ouvir “Stand By Me” na versão dos Beatles até os ouvidos praticamente caírem. Outros fecham-se sobre si e evitam qualquer tipo de contato humano. Há ainda os que vão à forra, vingando-se do sexo oposto ou bebendo a là Nicolas Cage em “Despedida em Las Vegas”. Todavia, independente da reação, o mais comum é sentir-se deslocado do restante do mundo. Para ajudar os perdidos na Estrada do Relacionamento – e sim, eu sou um de vocês – resolvi criar este blog. Não é lá grande coisa, não sei mais do que a maioria de nós. Mas é melhor do que nada. E se isso me ajudar a ouvir outra música além de “Stand By Me”, melhor ainda.

domingo, 30 de janeiro de 2011

O fim do amor



Uma dúvida persegue sábios, alquimistas e pensadores (valeu Raul) através dos séculos: o amor acaba? Há quem diga que o verdadeiro amor é eterno, tal qual os diamantes. Há os que dizem que tudo acaba e o amor também. Longe da filosofia, a ciência afirma que o amor é a reunião de quatro substâncias químicas (noradrenalina, feniletilamina, dopamina e oxitocina) que tem por fim a reprodução e sim, elas param de agir com o tempo. Quatro anos pra ser mais exato. Ok. Uma vez entrevistei um casal que estava junto há 80 anos – ambos tão lúcidos quanto eu ou você – e eles afirmaram que se amavam como quando eram recém-casados. Não duvido. Há mais mistérios entre os céus e a terra do que julga nossa vã filosofia, Horácio. Eu particularmente penso que é possível amar alguém indefinidamente, apesar disso ainda não ter acontecido comigo.
Todos meus relacionamentos acabaram por vários motivos, mas só o casamento acabou porque o amor havia morrido. Nos distanciamos demais – ambos trabalhando em cidades diferentes, nos vendo pouco e apenas brigando nesses períodos – e nada restava entre a gente. Ouço muito isso. Chega uma época em que o tempo em que o casal passa junto é dado a implicar com o outro e a discutir. É como se chegasse a um ponto em que não há mais nada a descobrir um do outro e toda fascinação morresse. Apenas os defeitos saltam aos olhos, e Deus, como saltam. Mas precisa ser sempre assim? Acho que não. Eu não tenho todas as respostas – na verdade muitas vezes nem sei qual é a pergunta – mas acho que todos entremos vez ou outra numa espécie de encruzilhada.
É mais ou menos o seguinte: numa primeira fase, quando o casal se conhece, namora e casa ou vai morar junto, tudo ainda é meio novo. Há muito o que descobrir do parceiro. Sabemos que ele tem defeitos e qualidades, mas relevamos os defeitos acreditando que é um mal que será curado com o tempo. (Não é não. Ele ou ela já era assim antes de te conhecer. Ou você aceita ou está perdendo seu tempo). Numa segunda fase, vem a amizade. Seu parceiro não era a princesa ou o príncipe encantado dos seus sonhos, mas é alguém legal com quem vale a pena passar o tempo. Vocês se divertem, tem várias coisas em comum e gostam de verdade um do outro. Mas aí vem a terceira fase: o enjôo. Ela gosta de assistir filmes do Stephen Seagal com você, mas já não é a mesma coisa. Tem aquela menina linda do trabalho que você jura que te dá mole. Acredite, sua esposa se sente do mesmo jeito. Ela nunca te contou, mas jamais gostou do Stephen Seagal e agora o detesta.
É aqui que os relacionamentos morrem. Mas acho que é possível sobreviver a terceira fase se a segunda for bem pavimentada. Talvez nem venha a existir uma terceira fase se assim for. Não tenho muita autoridade para falar sobre o assunto, mas quando vier a ter um novo relacionamento, vou cuidar disso. Manter a chama acessa, não deixar cair na mesmice, no conviver desleixado, como se só a presença do outro bastasse. É preciso mais um pouco, é preciso nutrir aquele mesmo sentimento do conhecer, do se importar e admirar o outro. Uma vez ouvi uma frase dizendo que você gosta das pessoas pelas suas qualidades mas as ama por seus defeitos. Vou me esforçar nesse sentindo. Porque sim, eu acredito que o amor pode ser eterno, mesmo que nada mais seja. Se eu estiver errado, pelo menos vou ser um romântico e acreditar em algo bom até o fim dos meus dias, o que não é tão ruim assim.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Quem sou eu



Boa pergunta. Ainda não sei. Mas posso contar um pouco da minha história e porque decidir criar esse blog. Bom, meu nome é Fernando, tenho 29 anos, sou jornalista, divorciado e sem filhos. Me separei da minha esposa – vou chamá-la de Michele nos posts, para preservá-la – em novembro de 2009, depois de cinco anos juntos. O casamento já havia acabado bem antes, apenas insistimos em ficar juntos e depois, quando nada mais poderia salvar o relacionamento, morei mais dois meses com ela até achar uma casa. Ela foi a segunda das mulheres da minha vida com quem eu tive o que se pode chamar de relacionamento amoroso de fato. A primeira foi a Laís (nome fictício também) com quem vivi dos 16 aos 19 anos, entre 1998 e 2001.
História engraçada. Ela tinha uma filha recém-nascida. Do meu melhor amigo. Não escolhi me apaixonar, mas aconteceu e ficamos juntos até que ela decidiu que queria mais do mundo. O final da história é triste. Ela acabou se envolvendo com drogas e morreu em 2007, aos 25 anos, de overdose. Eu já estava casado. O fiz em 2004, por puro acaso. Michele e eu namorávamos e decidimos nos mudar para Natal, no Rio Grande do Norte. As famílias pressionaram e nos casamos para partir. Mas no final desistimos da mudança e ficamos casados. Fomos morar juntos uns dois meses depois da cerimônia realizada.
É desse relacionamento que tiro a maior parte das coisas que aprendi sobre morar com alguém. Com a Laís era muito jovem e não entendi direito as coisas da vida. Depois da Michele, morando sozinho de novo, aprendi aos trancos e barrancos o que é a vida de solteiro e como superar muita coisa. Não sei tudo ainda, estou descobrindo fatos novos todos os dias, mas tenho tocado até que bem esse novo estilo de vida. Mas falta uma. Em março de 2009 conheci a Grazi (só a primeira letra é a do nome das três). Estava meio carente então e fomos morar juntos 15 dias após nos conhecermos. Nem preciso dizer o fracasso que foi isso. Posso resumir explicando que, três meses depois ela estava nos braços de outro. Na minha cama, rs
Conversando com vários amigos que se encontram na mesma situação que eu, decidi criar esse espaço para falar um pouco sobre o assunto. Não tenho grandes pretensões, ainda não sei e não posso a ensinar a ninguém os segredos da vida, mas a jornada sempre é mais fácil se o fardo for compartilhado. Espero contribuições de todos e quero tirar alguma coisa boa disso. Espero que vocês gostem de ler e participar tanto quanto estou gostando de fazer. Vamos lá, a vida (re)começa agora!