
É uma coisa interessante: quando se fica num relacionamento por um certo período, homens e mulheres perdem boa parte do talento para aquilo que chamo de “a arte da conquista”. Uma união estável não pede que você se torne interessante para outra pessoa repetidas vezes (talvez o problema seja esse, mas é outro assunto). Acostuma-se com a certeza que você já fez sua parte e pronto. Mas quando o relacionamento acaba e você precisa começar de novo, é necessário exercitar essa região do cérebro há muito adormecida. É claro que ninguém se esquece completamente de como chamar a atenção de outra pessoa, mas é normal ter alguma dificuldade. Ainda passo por isso às vezes, um ano e pouco depois. Por exemplo, sou péssimo em primeiros encontros. Travo. Os assuntos somem da minha cabeça, não sei onde colocar as mãos, fico tentando imaginar o que devo fazer. Uma vez comecei a falar com uma menina sobre como ela deveria se portar em caso de primeiro contato com uma raça alienígena. Sério, foi a única coisa que pensei na hora (pergunte de onde eles vieram, se são pacíficos, o que querem, se tem um manual da nave para dar e qual é a cura para o câncer).
Nem sempre sou tão desastrado, é óbvio. Mas somos como leões levados em cativeiro e depois soltos novamente na selva. É pedir demais que matemos gnus com a mesma destreza de antes. Acredito que o nervosismo é o que mais atrapalha. Queremos impressionar logo de cara. Ser engraçado, culto, legal, sexualmente atraente, tudo ao mesmo tempo. Mas é preciso calma. O que faço nas ocasiões que não sei o que fazer (eu sei que é paradoxal), é conversar sobre o cotidiano. Perguntar coisas suaves. Sou jornalista e portanto um bom ouvinte, gosto de verdade de escutar as histórias dos outros. Por uma incrível coincidência, as pessoas adoram falar sobre si. Isso torna as coisas mais fáceis. Só faço brincadeiras para quebrar o gelo se tiver plena certeza que será realmente engraçado. Evito falar sobre coisas que não sei, só para impressionar. Um passo de cada vez, foi assim que aprendemos a andar, lembra?
Para as mulheres é mais fácil. Elas são o centro das atenções. Não quer dizer que elas se saiam melhor. Deve ser horrível conversar com um cara que só tem a falar coisas sem sentido (como vida extraterrestre, Deuses!). Geralmente fico atento aos sinais corporais de quem estou conversando. Revirar os olhos é um mau sinal. Sorrir com todos os dentes é bom. Por aí. Não sou um Dom Juan, longe disso. A maioria das tentativas de aproximação dão em nada, embora vez ou outra eu consiga me sair bem. Ah, beber um pouco para ficar relaxado ajuda, mas – friso bem – um pouco só. Apesar da maioria dos homens não ligarem para mulheres alteradas pelo álcool, todos os bêbados são horrivelmente chatos. Só para esclarecer: não falo mais sobre vida fora da Terra, por mais tentador que pareça na hora.